Home office e coworking começam a quebrar os modelos de gestão tradicionais em Santa Catarina
Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), em 2010 a cidade de São Paulo tinha 1,5 milhão de pessoas trabalhando no conforto de suas casas – número equivalente a cerca de 27% de todos os empregados na capital paulista. Com o passar do tempo, essa realidade deixou de ser exclusiva da metrópole e migrou para os quatro cantos do País. Hoje, é cada vez mais comum que empreendedores decidam iniciar seus negócios com maior flexibilidade e economia e, para tal finalidade, o home office costuma ser o principal caminho.
Em grande parte dos casos, o home office é a opção mais interessante para o jovem empreendedor, por retirar dos custos iniciais da empresa o aluguel de um local para trabalho. Foi exatamente por este motivo que Maurício Domingos dos Santos Júnior, morador de Penha, decidiu iniciar seus negócios em casa. Sócio da Infalms, empresa de desenvolvimento de softwares para internet, ele conta que o modelo de home office surgiu naturalmente. “Por questões de custo e praticidade começamos a trabalhar, cada um em seu próprio espaço, nos reunindo na casa de alguém para tratar de assuntos mais complexos que eventualmente necessitam de contato mais eficiente”, explica, em entrevista ao Noticenter.
Alguns modelos de negócio, como aqueles que são voltados para a internet, têm ainda mais facilidades para quem deseja trabalhar desta forma. Mas os exemplos de empreendedores catarinenses que atuam em casa podem ser encontrados em diversas áreas. A estudante de moda Monica Findeis, por exemplo, tem um quarto separado em sua casa, em Blumenau, para administrar o Handmade Atelier. Atuando desde outubro de 2012, ela cria peças e acessórios artesanais, e vende através da loja virtual da empresa.
Trabalhando sozinha, Monica diz que optou pela tranquilidade de casa após uma experiência em um escritório de desenvolvimento de coleções. “Vi a maneira como as grandes empresas tratam seu desenvolvimento de moda. Decidi fundar meu atelier, totalmente contra o rumo das companhias tradicionais”, destaca. No chamado “slow fashion”, Monica preza pela dedicação e paciência na confecção de seus produtos.
Os dois lados da moeda
As vantagens citadas por estes empreendedores são muitas, mas a comodidade de trabalhar em casa é o principal ponto positivo. “Posso montar meu próprio horário, trabalhar finais de semana ou à noite e sempre que me sinto inspirada”, conta Monica. Segundo Maurício, a própria tensão de um escritório, com várias pessoas falando ao mesmo tempo, acaba atrapalhando a produtividade individual.
Entretanto, a proprietária do Handmade Atelier aponta que há desvantagens neste jeito de levar a vida profissional. O controle de tempo e a possibilidade de trabalhar a qualquer hora pode fazer com que o horário de trabalho seja extrapolado. “Às vezes você acaba misturando o serviço doméstico com o trabalho ‘de verdade’. Por isso, é preciso se manter focado para render no dia a dia”, ressalta Monica. “Trabalhar em casa pode trazer sérios fatores de distração, fazendo com que o próprio ambiente se torne uma armadilha”, segreda Maurício, que cita como um empecilho do home office o agendamento de reuniões. No caso da Infalms, os sócios e ele contornaram a falta de local para reuniões com visitas regulares aos clientes.
Para muitos, o sistema pode ser considerado viável somente no início do negócio, mas Maurício conta que não pretende mudar de local tão cedo. “O modelo de negócio atual está sendo produtivo. A necessidade de mudar para uma sala será trabalhada quando enfrentarmos dificuldades em sustentar o modelo atual”, afirma. Monica, por sua vez, pretende mudar a empresa para um local mais visível, mas ainda esbarra nos custos elevados.
No fim do dia, quem tem o seu próprio negócio raramente consegue parar de trabalhar. Monica conta que tenta manter um horário comercial, mas sempre acaba ultrapassando as 44 horas semanais. Já Maurício explica que trabalha a partir de metas e tarefas dos projetos, em que cada pessoa precisa apenas cumprir um prazo, sem um horário específico de trabalho.
Coworking: alternativa para abandonar o home office
Há quem não abra mão de trabalhar no conforto da própria casa. Mas e quanto às pessoas que não servem para esse tipo de rotina? Em Santa Catarina, uma alternativa com mais estrutura, profissionalismo e menores gastos já é realidade. Trata-se do coworking, modelo de escritório compartilhado que oferece aos usuários um espaço corporativo completo, por custo até 70% menor e nenhuma burocracia.
Baseado no modelo nascido nos Estados Unidos há pouco mais de 10 anos, o chamado "escritório inteligente" põe à disposição dos coworkers endereço comercial e fiscal (para abertura de empresa), secretária, sala de reuniões multimídia, sala privativa de atendimento, entre outros benefícios, como internet de alta velocidade e agendamento eletrônico. Tudo isso por valores muito baixos, na comparação com um escritório tradicional.
O conceito de coworking vai além, proporcionando um ambiente colaborativo que estimula a criatividade e possibilita ampliar a rede de contatos. E é justamente essa possibilidade de networking e troca de ideias com diferentes profissionais e potenciais clientes que está atraindo as empresas ao formato, que já é comum em São Paulo.
Em Santa Catarina dados oficais do site Startup SC indicam que, hoje, existem sete unidades de coworking distribuídas nas cidades de Balneário Camboriú, Itajaí, Florianópolis e Joinville. De acordo com Dirceu Bernardo de Oliveira, diretor da Conexão Coworking, o primeiro escritório compartilhado de Balneário Camboriú, podem haver outros espaços com o mesmo fim, mas que não estão registrados com a mesma denominação no território catarinense.
Qualidade no atendimento aos clientes
Dirceu revela, ainda, que uma pesquisa recente realizada em 24 países aponta que 85% dos coworkers sentem-se mais motivados no ambiente de trabalho. Além disso, um em cada cinco deles até pagaria mais pelo espaço. “Além de dar infraestrutura de trabalho, o escritório compartilhado favorece o networking e facilita a troca de ideias, já que pessoas de diferentes áreas atuam no mesmo espaço”, observa Dirceu.
Ele ressalta o aspecto sustentável do modelo, tendo em vista que um mesmo escritório e estrutura comportam várias empresas e pessoas. “Com a nova geração vieram novos padrões de trabalho, e o coworking é uma alternativa para este novo jeito de fazer negócios, priorizando a colaboração e reduzindo o impacto ambiental”, completa.
Miguel Severo, coordenador educacional da Índice Investimento, que tem unidades em Balneário Camboriú e Lages, atua há cerca de seis meses no espaço coworking. Ele diz que esse tipo de ambiente é gerador de novos negócios. “Utilizo o espaço físico para ministrar cursos e palestras, podendo assim alavancar o meu negócio de maneira diferente e atingindo um número maior de pessoas”, conta. Para ele, é mais vantajoso utilizar a estrutura já existente do que ter um custo bem mais alto por mês alugando uma sala própria. Miguel destaca as possibilidades que esse sistema de trabalho proporciona, gerando novas idéias e um network de qualidade. “Para os profissionais liberais, eu recomendo optar pelo coworking, porque ele oferece uma excelente qualidade no atendimento aos clientes”, enfatiza.
Sobre os espaços
Os espaços que são montados para atender os profissionais liberais interessados em deixar o home office oferecem endereço comercial e fiscal (para abertura de empresa), secretária em horário comercial, agendamento eletrônico, internet de 35 megabytes e wi-fi, sala de reuniões, unidades de trabalho, além de biblioteca e alguns outros itens para o conforto dos usuários. Os locais dispõem tanto de valores por hora – a partir de R$ 5, dependendo do que é oferecido – até pacotes mensais, com a possibilidade de personalização, conforme a necessidade do coworker.
Na Conexão Coworking, o custo por uma hora de estação de trabalho, por exemplo, é de R$ 10. Uma hora na sala de atendimento sai por R$ 15, e uma hora na sala de reuniões sai por R$ 30. Há também a possibilidade de usar o espaço para palestras e treinamentos.
Fonte: Noticenter
Disponível em: http://www.noticenter.com.br/?modulo=noticias&caderno=gestao¬icia=02686-empreendedores-apostam-em-escritorios-diferenciados


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Lucas Zschornack

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