A Vale vai registrar novas baixas contábeis de ativos
na divulgação dos resultados do último trimestre do ano passado, a serem
anunciados em 27 de fevereiro. Isso poderá impactar ainda mais o balanço da
companhia. As projeções de analistas são de um prejuízo da mineradora no
período entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões decorrente da baixa contábil de US$
4,2 bilhões, comunicada ao mercado em 20 de dezembro.
A informação foi dada ontem por Luciano Siani,
diretor-executivo de finanças e relações com investidores da companhia, durante
seminário sobre o preço dos metais e do minério de ferro, na Apimec-Rio. O
evento foi promovido pela própria Vale. Siani admitiu ao Valor que serão
baixas contábeis menores que a já anunciada e que envolveram ativos de níquel
(Onça Puma) e a participação acionária de 22% que a empresa detém na norueguesa
de alumínio Norsk Hydro.
Depois do anúncio da Vale, outras mineradoras
informaram baixas contábeis, como a concorrente australiana Rio Tinto, de US$
14 bilhões por conta de ativos de alumínio (antiga Alcan) e de carvão e, a
Anglo American, que comunicou ontem uma baixa de US$ 4 bilhões no ativo Minas-Rio
em seu balanço (ver página
B1).
A Vale pretende eliminar as incertezas dos investidores
em relação a companhia e isso inclui não só a baixa contábil de ativos, como os
acertos de pendências judiciais, como foi o caso recente dos royalties como o
DNPM (órgão do governo federal) que estão com a solução encaminhada, da Suiça e
o desfecho do pendência judicial sobre imposto de renda de controladas e
coligadas. “Esta ainda não tem solução fizemos provisão. O valor desse processo
deve ser de R$ 20 bilhões e tanto e está no STF. “Estamos aguardando o
julgamento”.
Outras incertezas que foram alvo de perguntas de
investidores foram o projeto de potássio de Rio Colorado, na Argentina e o de
minério de ferro de Simandou, na Guiné, onde a Vale vem enfrentando dificuldades.
Em relação ao Rio Colorado, Siani não quis comentar o andamento do projeto,
cuja suspensão foi negada pela companhia, mas afirmou que “a Vale trabalha com
perspectiva de criação de valor e tem obrigação de avaliar o que é melhor para
o acionista”. No caso de Simandou, disse que a perspectiva da Vale em relação
ao projeto é de longo prazo. Mas a companhia permanece dialogando com o governo
da Guiné para resolver as indefinições políticas e jurídicas.
O diretor de finanças e relações com investidores da
Vale foi enfático ao destacar que a empresa trabalha para recuperar a liderança
no mercado global de produção de minério de ferro. A Vale era primeira no
ranking e perdeu para as australianas por que não entregava nenhum projeto novo
desde 2007. A estratégia é focar em projetos de minério de ferro, como o de
Serra Sul (em Carajás, no Pará) e recuperar as minas do quadrilátero ferrífero
no Sudeste.
Com os projetos em andamento, Siani prevê que a
companhia vai produzir 450 milhões de toneladas de minério em 2018, quando
Serra Sul estará operando a plena produção de 90 milhões de toneladas. Para
2013, a produção esperada é modesta, de 306 milhões de toneladas de minério de
ferro.
A recuperação do market share no mercado global de
minério está ligada a estratégia da Vale de recuperar seu valor de mercado,
enfatizou Siani. A Vale passou ao terceiro lugar em valor de mercado no ranking
das grandes mineradoras, perdendo para a Rio Tinto. “Por que a Rio Tinto tem
mais valor de mercado?”, questionou Siani. “Porque tem entregue crescimento e
nós não”. Segundo ele, quando as entregas dos projetos de crescimento da Vale
forem mais evidentes, a companhia irá recuperar seu valor de mercado. “A Vale
tem um valor de mercado latente incrível e a administração está absolutamente
comprometida a revelar e entregar esse valor a seus acionistas”, afirmou.
A companhia trabalha com patamares de preços de minério
de ferro entre US$ 110 a US$ 180 a tonelada a partir deste ano. O gap é grande,
mas está ligado à volatilidade que rege o mercado de commodities após o fim do
superciclo. O pior, no entanto, parece ter passado. Roberto Castello Branco,
diretor de relações com investidores da Vale, disse que a Vale vè um clima de
otimismo no mercado financeiro mundial. “Algumas incertezas que pairavam sobre
a economia foram eliminadas”, afirmou, citando a ruptura do Euro, o abismo
fiscal nos Estados Unidos e o pouso forçado na China.
Castello Branco prevê dias melhores para os preços do
minério de ferro e dos metais básicos face à melhora do cenário econômico
global. Ele destacou em palestra na abertura do seminário, no Rio, que os
preços dos metais estão fortemente correlacionados ao movimento da produção
industria global, que dá sinais de recuperação.


10:30
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